Os cães da Disney - Parte I

Postando dia desses a frase do Pateta “Não sou um homem, sou um cachorro”, lembrei que existem vários cães nas HQ Disney que são cães mesmo. Certamente o Pluto é o mais famoso deles, mas existem vários outros. Banzé, Vira-Lata, Lili, Joca, Velho Fiel, Bolívar, Corisco, Sabujo, Cão, Tobi, Borrão, Lobo, Trambique, Átila, Felpudo, Caozarrão... Conhece todos?

Bem, vou tentar falar deles em alguns posts ao longo dos próximos dias... Mas se esquecer de algum, me falem...

O primeiro é o meu preferido, Banzé

Que é, na verdade, todo um universo de cães.


Filho da Lili com o Vira-Lata, Banzé apareceu pela primeira vez no final do filme “A Dama e o Vagabundo”.  Mas ele, seu irmão e suas irmãs eram meros coadjuvantes finais do filme. Banzé se destaca por ter sido o único a sair parecido fisicamente com o pai. Seu irmão (Pinote) e suas irmãs (Chic e Sapeca) saíram idênticos a mãe.


No mesmo ano do longa metragem (de 1955), Banzé ganhou suas tiras diárias e dominicais. Sucesso absoluto, essas tiras foram publicadas ininterruptamente por vários anos, inicialmente com os roteiros de Ward Greene e os desenhos de Dick Moores, depois com os desenhos de Bob Grant e a bela arte final de Manuel Gonzales.

Nas histórias em quadrinhos, Banzé chegou com tudo em 1956, com roteiros de Del Connell e a bela arte de Al Hubbard. Uma parceria que gerou centenas de excelentes histórias, muitas delas pouco ou nunca publicadas no Brasil. Nos EUA, o pequeno cãozinho apareceu em 4 One Shots com seu nome e depois chegou a ter sua própria revista em duas oportunidades, a primeira pela Dell, durando 12 edições e depois pela Gold Key, durando  45 edições.

Existem mais de 12 mil registros no Inducks com o Banzé (incluindo tiras, histórias, ilustrações e capas). Literalmente são milhares de tiras e histórias, sendo muitas destas tiras inéditas por aqui e muitas delas que só saíram nos jornais da época nos EUA e nunca mais viram a tinta e o papel.

Atualmente só a Holanda produz histórias com o Banzé. Poucas, mas produz. A Dinamarca também produziu algumas num passado não muito remoto. Os italianos, maiores produtores de histórias Disney da atualidade, pelo jeito não gostam muito do personagem. Existe apenas uma história feita na Itália com o Banzé e é uma versão do filme a Dama e o Vagabundo, distribuída juntamente com o desenho em VHS nos anos 90.

No Brasil, foram criadas 8 tiras e 13 histórias entre 1974 e 1979. Além disso, o personagem estampou várias capas das revistas periódicas ao longo dos anos 50, 60 e 70.


O universo do Banzé cresceu bastante desde sua concepção nos anos 50. Em suas inúmeras histórias e tiras, o pequeno cão contracenou com outros personagens caninos advindos do longa:

Lili, a mãe do Banzé, uma linda Cocker Spaniel, com donos “ricos”, que acabou se envolvendo com um vira-lata e apaixonando-se.  Sua história é uma das que mais obteve sucesso entre os longas-metragens da Disney no quesito popularidade (vai dizer que não conhece a cena do espaguete?)

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Vira-lata, o pai do Banzé, um típico cão de rua que salvou a bela Lili quando esta se meteu em uma enrascada e acabou enrascado (no bom sentido) com a pequena burguesa. Acabou por se tornar o parceiro dela, ganhando um lar, mas jamais abandonou completamente as ruas e becos.

Pinote, Chic e Sapeca, Cockers Spaniels, como a mãe, são as “irmãs” do Banzé. Pinote era macho, geralmente não usava laço nas histórias, ou se usava, era azul, para diferenciar, mas sempre andou junto das irmãs, e, sendo idêntico a elas, sempre causou confusão. Com o passar dos anos os autores optaram por esquecer o gênero do pequeno e mencionar apenas com “as irmãs do Banzé”.


Joca, um Terrier Escocês, e o Velho Fiel, um Bloodhound (cão de Santo Humberto) farejador aposentado, são vizinhos da Lili, muito frequentes nas histórias dessa turma.


Caozarrão, um Bulldog amigo do casal e do pequeno Banzé, também foi bastante frequente nas histórias dos anos 50.


Marlene (ou Peg, no original), uma Pequinêsa toda charmosa, também originária do filme, sempre foi presença certa nas tiras e histórias nos anos 50 e 60.


Bóris, um Lebrél Irlandês (ou Wolfhound), também apareceu primeiro no desenho, mas sempre marcou presença nas histórias e tiras.


Pedro, um Chihuahua mexicano, também apareceu no desenho e foi bastante presente nas histórias dos anos 50 e 60. Nas histórias Pedro tem uma irmã toda charmosa Chiquita e três outras irmãs (Juanita, Rosita e Carmelita) que apareceram em menos vezes... Todas apaixonadas pelo Banzé...



Ao longo das HQ’s também foram introduzidos diversos novos personagens (e não só cães, diga-se) relevantes para as histórias. Aqui vou citar 4 deles:

Tiquinho, aparentemente um Dog Alemão, enorme, contrasta sempre sua presença com o tamanho do pequeno Banzé. Mesmo sendo frequente nas tiras, apareceu em apenas uma história holandesa de 2016.

Chico, pequeno chihuahua com sotaque espanhol, apareceu em quase 200 tiras ao lado do Banzé. Muitas vezes confundido com o Pedro, mas ele não tem irmãs e é, aparentemente, menor que o mexicano. Foi chamado de Pablo em algumas ocasiões.


Manchinha, outro vira-lata, recorrente nas tiras dos anos 50 e nas histórias dos anos 60 era caracterizado hora como branco, hora como marrom, também foi chamado de Malhado e Pintado... Mas no Inducks aparece sempre como o mesmo personagem.

Jóia, uma bela cadelinha (acho que uma Splitz alemã) que deixou o Banzé bem caidinho, também apareceu com frequência nas tiras dos anos 50 e 60.



Existem vários outros cães que aparecem ao longo das tiras e histórias, aparecendo em uma ou mais delas, mas fica bastante difícil nomear todos aqui (Veludo, Farejo, Timóteo, Zangão,Lulu, Fininho, Soneca, Bolão, Nanquim...).

O personagem teve uma edição de Melhores Piadas, lançado aqui em março de 1977. Foram publicadas cerca de 190 tiras diárias dos anos de 59 a 75, praticamente todas em P&B.


Se quiserem conhecer melhor o Banzé, fizemos uma edição virtual gigante compilando os primeiros anos de histórias, incluindo até algumas inéditas. É bem fácil de encontrá-la nos blogues na Web. Já estou pensando em dar continuidade fazendo a 2ª edição com os anos seguintes, pois, a Abril lançou muito pouco material de personagens secundários mesmo com os tijolões Mega e Jumbo, agora que só sobrou o Big, acho ainda mais difícil que isso venha a ocorrer. E se acontecer, vai ser com material que já tem versão digital (restaurado recentemente ou lançado recentemente) e o material clássico vai continuar ser ver a luz em terras brasilis...






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